Etapa do crescimento · Troca de dentes
Filhote de 4 a 6 meses
Tempo de troca de dentes: vontade de roer, mais independência, passeios regulares e o treino de ficar sozinho com tranquilidade.
Foto: Beth Ashton, Kill Devil Hills, NC A grande novidade entre 4 e 6 meses é a troca de dentes. Os de leite caem, os permanentes nascem, a gengiva fica sensível e a vontade de roer dispara. É normal achar dentinhos pelo chão ou nem notar a troca, já que muitos são engolidos sem problema.
Junto vem a independência. Ele se afasta mais para explorar, testa limites e parece ter esquecido comandos que já dominava. Faz parte do crescimento: o treino deve continuar, agora com mais distrações e muita constância.
É a hora de firmar o xixi no lugar certo, ensinar aos poucos a ficar sozinho e fazer do passeio um momento gostoso para os dois lados da guia, sem puxões.
O que se passa com o filhote nesta fase
- Troca de dentes: primeiro os incisivos, depois caninos e pré-molares; os molares já nascem permanentes. No fim, o cão adulto fica com 42 dentes. Na maioria dos filhotes, o processo se completa por volta de 6 a 7 meses.
- Gengiva sensível: nesse período, é comum algum incômodo, a gengiva avermelhada e uns pontinhos de sangue nos brinquedos. A vontade de roer é forte.
- Crescimento acelerado: muitos filhotes esticam de repente e ficam desengonçados. Nas raças grandes, o crescimento segue forte e pede ração adequada ao porte.
- Mais independência: ele se afasta mais, se distrai fácil e pode atender menos ao chamado na rua.
- Xixi sob mais controle: a maioria já espera mais tempo entre uma ida e outra ao local certo, até de noite, embora ainda haja recaídas.
- Primeiros sinais hormonais: em algumas raças pequenas, a puberdade pode dar as caras perto do fim desta fase. Os machos podem passar a levantar a pata, e as fêmeas, ter o primeiro cio mais cedo do que o esperado.
- Sono: o descanso continua sendo essencial, ainda que ele fique acordado por mais tempo e com mais disposição.
Cuidados que vêm primeiro
Roer sem risco durante a troca
Ofereça mordedores de texturas variadas, firmes sem serem duros demais, e alguns bem gelados para aliviar a gengiva. Tire de circulação o que estiver se esfarelando. Veja mais em troca de dentes do filhote.
MordidasBoca limpa desde cedo
Deixe a boca do filhote se habituar ao toque e inclua a escovação devagar, com produtos próprios para cães, respeitando a gengiva ainda sensível. Confira escovação dos dentes do filhote.
HigienePasseios que educam
Sair todo dia, com tempo de sobra para farejar, gasta energia e dá continuidade à socialização. Comece a treinar a caminhada com a guia frouxa. Veja como ensinar a andar sem puxar.
PasseiosTreino para ficar sozinho
Comece com ausências curtas e previsíveis, deixando um brinquedo recheável e saindo e voltando sem alarde. O tempo cresce aos poucos. Leia ensinar o filhote a ficar sozinho.
MordidasTrês refeições diárias
Nessa idade, a maioria faz três refeições por dia de ração para filhotes. Acompanhe o escore corporal: as costelas devem ser fáceis de sentir ao toque, mas não aparecer de longe.
AlimentaçãoTreino com distrações crescentes
Leve os comandos já conhecidos para lugares novos, com distrações aumentando aos poucos. O chamado (vem) merece treino todo dia, com prêmios de alto valor.
AdestramentoComo cada tema muda nesta fase
Em cada área do cuidado, estas são as mudanças enquanto o filhote tem 4 a 6 meses.
Alimentação
- Na troca de dentes, a gengiva fica sensível e o apetite oscila por alguns dias; umedecer a ração de leve pode ajudar.
- Se o filhote rejeita toda a ração por mais de 24 horas, mesmo trocando os dentes, é sinal de que algo não vai bem: ligue para o veterinário.
- Mantenha três refeições e confira o formato do corpo quinzenalmente, pelas costelas e pela cintura.
- Raças grandes seguem com ração própria para filhotes grandes, e nada de cálcio extra comprado por conta própria.
Vacinação e cuidados preventivos
- Pergunte ao veterinário em que data a série de vacinas se encerra e quando o filhote já pode pisar no chão dos passeios.
- Durante a troca de dentes, repare se algum dente de leite ficou no lugar com o permanente nascendo ao lado e mostre isso ao veterinário.
- Pese o filhote de novo antes de cada antiparasitário: a indicação depende do peso, e ele cresce depressa.
- Inicie os passeios aos poucos e, na volta, passe as mãos pelo pelo à procura de carrapatos.
Higiene
- Na troca de dentes a gengiva dói: use escova macia ou dedeira, pegue leve na pressão e não largue o hábito.
- Toda semana, procure dente de leite que ainda não caiu ao lado do permanente.
- Com as vacinas completas e o OK do veterinário, o banho e tosa pode entrar na rotina, de preferência em visitas curtas só para ele conhecer o lugar.
- Ao voltar da rua, passe um pano úmido nas patas e veja se não ficou pedrinha, espinho ou corte nas almofadas.
Sono e rotina
- Com a gengiva sensível da troca de dentes, o filhote pode ficar incomodado e inquieto. Deixar mastigáveis seguros perto da cama o ajuda a relaxar antes de dormir.
- A maioria já atravessa a noite sem xixi, contanto que a última saída aconteça pouco antes de deitar.
- Ele fica acordado por mais tempo e com mais disposição. Passeios e jogos de faro, com o aval do veterinário, entram bem no dia, desde que uma soneca venha depois.
- Preserve os horários também aos sábados e domingos: virar a rotina de cabeça para baixo costuma render agitação e xixi fora do lugar.
Socialização
- Siga apresentando novidades: a socialização não acaba quando a janela fecha, ela pede manutenção.
- Na troca de dentes, alguns filhotes toleram menos o toque na boca. Continue o manuseio, com gestos suaves e rápidos.
- Amplie o repertório de lugares: calçadas, lojas que aceitam cães, estacionamentos, pontos de ônibus, sempre com uma saída fácil se ele se assustar.
- Dê preferência a brincadeiras com cães conhecidos e equilibrados, em vez de parques lotados de desconhecidos.
Adestramento básico
- Com a troca de dentes, deixe mordedores adequados à mão e mantenha as sessões curtas: o filhote pode ficar mais irritadiço.
- Aumente devagar o tempo do fica e a distância do chamado, voltando a um nível fácil sempre que ele errar várias vezes seguidas.
- Leve as habilidades para a vida real: sentar antes de a tigela descer ao chão, aguardar antes de abrir a porta, vir quando chamado no quintal.
- A maioria já controla bem o xixi; escapes frequentes nessa idade pedem atenção.
Mordidas e comportamento
- Pico da troca de dentes: gengiva sensível, dentinhos pelo chão e vontade forte de roer fazem parte. Ofereça roedores adequados ao porte, sempre sob supervisão.
- Olhe a boca dele toda semana. Dente de leite firme com o permanente já nascendo colado, principalmente nos caninos, é motivo de consulta.
- Com mais força no corpo, a mordida dói mais. A regra continua: dente na pele encerra o jogo, sem grito e sem tapa.
- Estique o tempo sozinho devagar, sempre depois de exercício e deixando um brinquedo recheado para entreter nos primeiros minutos.
Passeios
- Aumente a duração aos poucos, sem perder os passeios curtos e frequentes, e sem corrida nem trajeto comprido forçado.
- A troca de dentes deixa a boca mais curiosa: redobre a atenção a osso e resto de comida na calçada.
- Comece a treinar o chamado com a guia longa, em lugar seguro.
- Treine encontros rápidos e sob controle com cães tranquilos e vacinados.
Enriquecimento ambiental
- Na troca de dentes, escolha roedores e mordedores apropriados e brinquedos de borracha gelados.
- Tapete de lamber e brinquedo recheado acalmam e dão alívio à gengiva.
- Inspecione os brinquedos com mais frequência: a mordida fica mais forte depressa e o desgaste vem junto.
- Se o veterinário já liberou, passeios curtos com bastante tempo para farejar viram o centro do enriquecimento.
Cuidados por fase de crescimento
- Deixe à mão mordedores seguros e de tipos diferentes, para aliviar a troca de dentes e dar outro destino às mordidas.
- Inspecione a boca: se o dente de leite continua firme e o permanente já apareceu ao lado, mostre ao veterinário.
- Com a liberação do veterinário, aumente os passeios curtos de exploração, valorizando o cheirar mais do que a distância percorrida.
- Diminua o número de refeições devagar, de acordo com a orientação, normalmente indo para três e então duas.
- Antes de a adolescência começar, treine andar na guia e ficar sozinho por pouco tempo.
Preparação da casa
- Cobrir ou proteger rodapés, pés de móveis e fios na fase de troca de dentes, oferecendo opções melhores para roer.
- Espalhar mordedores pelos cômodos em que o filhote costuma ficar.
- Ver se a caixa de transporte continua do tamanho certo.
- Conferir portões e frestas por onde o filhote consiga escapar.
Outros cuidados importantes
- Se houver uma viagem maior no horizonte, confira as exigências com a transportadora e com a hospedagem.
- Tire uma foto nova para a identificação.
- Converse sobre castração e, se essa for a decisão, ponha o procedimento no orçamento.
- Compare planos de saúde pet, olhando coberturas e carências.
Marcos da fase
- Queda dos dentes de leite e chegada dos permanentes.
- Xixi no local certo na maioria das vezes.
- Passar curtos períodos sozinho sem se angustiar.
- Percorrer alguns trechos com a guia sem esticar.
- Fazer senta, deita e fica por alguns segundos em lugares conhecidos.
- Aceitar a escova nos dentes e o toque nas patas.
O que merece atenção
- Dente de leite que continua firme depois de o permanente nascer (dente retido) precisa de avaliação veterinária.
- Osso cozido, objeto duro demais e brinquedo que se parte podem quebrar dentes ou ser engolidos.
- Mudança súbita de humor, mordidas mais fortes ou choro na hora de comer podem apontar dor na boca.
- Nas raças pequenas, o primeiro cio pode vir cedo: observe se a vulva incha e se há sangramento.
- Exercício intenso em excesso, saltos e corridas longas não combinam com raças grandes que ainda crescem.
- Punir a destruição não adianta: o que o filhote precisa é de alternativas próprias para roer.
Checklist desta fase
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Quando buscar orientação veterinária
Fale com o veterinário se
- Para acompanhar a troca de dentes e checar se ficou algum dente de leite retido.
- Para fechar o esquema de vacinas e rever a prevenção contra parasitas.
- Para tratar de castração, de cio e da melhor hora para o seu filhote, levando em conta porte e saúde.
- Sangramento na boca que não cessa, mau hálito forte, dificuldade para comer ou rosto inchado.
- Objeto engolido, vômito repetido, barriga dolorida ou ausência de fezes.
A lista tem caráter educativo e não abrange todas as situações. Se alguma coisa parecer fora do normal com o filhote, confie no que você percebe e procure um profissional.
Rotina nesta etapa: Separe horários certos para roer e farejar, sobretudo depois do passeio, quando o filhote precisa baixar a rotação.
Montar uma rotina sugerida para 4 a 6 meses