Alimentação Checklist
Alimentos que fazem mal ao filhote: a lista para a cozinha de casa
Lista dos alimentos comuns nas casas brasileiras que intoxicam ou machucam o filhote, com o motivo de cada um e os primeiros passos caso ele coma algum.
Foto: Acabashi O filhote descobre tudo com a boca. O brigadeiro que escorregou da mão de uma criança, o cacho de uvas esquecido na fruteira baixa, a sobra do churrasco no fundo do saco de lixo: para a família é comida comum, para um cão pode ser veneno, e o corpo pequeno dele faz com que quantidades menores já pesem. Alguns alimentos agem em minutos. Outros trabalham em silêncio e só mostram o estrago horas ou dias depois, quando o filhote já voltou a brincar como se nada tivesse acontecido.
A lista a seguir reúne o que mais circula nas cozinhas brasileiras e precisa ficar longe dele, sempre com a razão de cada item. Ela não faz o papel do veterinário: diante da menor suspeita de que ele engoliu algo daqui, ligue para o profissional ou para um pronto-atendimento sem esperar o primeiro sintoma.
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Quantidade importa, mas não serve de desculpa para esperar
O tamanho do problema depende de três coisas: o alimento, quanto foi comido e o peso do cão. Um único bombom talvez passe em branco para um labrador adulto e, ao mesmo tempo, preocupe de verdade no caso de um spitz de 1,5 kg. O chocolate amargo e o cacau em pó concentram bem mais teobromina que o chocolate ao leite, então pesam mais. Com uvas e passas a conversa é outra: ninguém sabe dizer qual quantidade é segura. Certos cães sofrem lesão nos rins com poucas unidades, outros não sentem nada, e não existe jeito de adivinhar de antemão em qual grupo o seu filhote está.
Por isso a regra é simples: qualquer ingestão vira telefonema para o veterinário. Tenha na ponta da língua o que foi comido, a quantidade aproximada, o horário e o peso do filhote. Quando o tratamento começa cedo, em geral é mais simples e funciona melhor.
Se o filhote já comeu: o que fazer nos primeiros minutos
Respire fundo e afaste o que sobrou, antes que ele volte para mais. Separe a embalagem ou um pedaço do alimento: o rótulo mostra ingredientes e concentração, informação que o veterinário vai querer. Olhe o relógio e anote a hora em que aconteceu.
Nada de tentar fazer o filhote vomitar na cozinha, seja com sal, com água oxigenada ou com outra receita caseira, e nada de oferecer leite ou óleo. Para certas substâncias, vomitar piora o dano, e alguns métodos de casa machucam o cão por conta própria. Quem decide se vale induzir o vômito, e de que jeito, é o veterinário, que costuma fazer isso na clínica, com segurança.
- Afaste o alimento do filhote e guarde a embalagem.
- Anote o que foi comido, a quantidade estimada e o horário.
- Ligue para o veterinário ou para um pronto-atendimento 24 horas.
- Siga o que a equipe pedir e, se mandarem levá-lo, vá, mesmo que ele esteja animado.
Como evitar o susto na rotina da casa
Os acidentes costumam nascer na bagunça: visita na sala, festa de aniversário, churrasco de domingo, criança comendo sentada no chão. Combine com todos que ninguém oferece comida ao filhote sem saber se pode, e avise os convidados logo na chegada. Lixeira com tampa e armário de porta fechada resolvem boa parte do risco.
Ensinar o filhote a soltar e a deixar o que está no chão, usando reforço positivo, vira uma proteção extra. E, para olhar os outros perigos da casa, como produtos de limpeza e plantas, passe pela casa segura para o filhote.
Erros comuns
Esperar o primeiro sintoma para pedir ajuda.
Na intoxicação por uva, xilitol ou chocolate, o tratamento rende mais quando começa cedo. Telefone para o veterinário logo depois da ingestão.
Achar seguro dar um pedacinho só porque o cão do vizinho comeu e passou bem.
Cada cão reage de um jeito, e o peso conta muito. Uma quantidade que um adulto grande tolera pode intoxicar um filhote pequeno.
Fazer o filhote vomitar em casa com sal ou água oxigenada.
Receita caseira pode ferir e ainda causar intoxicação por sal. Só induza o vômito se o veterinário mandar e explicar como fazer.
Dar osso de churrasco como petisco para roer.
Escolha mordedores feitos para filhote, no tamanho certo para a boca dele, e fique por perto enquanto ele rói.
Quando buscar orientação veterinária
Fale com o veterinário se
- Suspeita de que ele comeu chocolate, uva, passa, xilitol, cebola, alho, álcool, macadâmia ou remédio de gente: ligue na hora, mesmo sem nenhum sintoma.
- Vômitos repetidos, muita baba, tremores, agitação forte, andar cambaleante ou convulsão.
- Barriga inchada e dolorida, ânsia sem conseguir vomitar ou falta de fezes depois de engolir osso, sabugo ou caroço.
- Gengivas bem pálidas ou amareladas, ou fraqueza intensa, nos dias seguintes a cebola ou alho.
- Pouca ou nenhuma urina, vômito e apatia nos dias depois de uva ou passa.
A lista tem caráter educativo e não abrange todas as situações. Se alguma coisa parecer fora do normal com o filhote, confie no que você percebe e procure um profissional.
Perguntas do dia a dia
Meu filhote deu uma lambida no brigadeiro. Devo me preocupar?
Telefone para o veterinário com o peso do filhote e a quantidade aproximada. Uma lambida muitas vezes não passa de susto, mas quem mede o risco é o profissional, olhando o tipo de chocolate e o tamanho do cão.
Pasta de amendoim é permitida?
A pasta pura, sem açúcar, sem sal e, acima de tudo, sem xilitol, costuma entrar em pouca quantidade nos brinquedos de rechear. Leia a lista de ingredientes todas as vezes, pois certas versões diet levam xilitol.
Que frutas e legumes costumam ser seguros?
Cenoura, abobrinha, maçã sem sementes, banana e melancia sem sementes, em pedacinhos e sem tempero, costumam cair bem como petisco. Apresente um por vez e olhe as fezes. Mais ideias em petiscos e água no dia a dia.
Este texto pertence ao tema Alimentação. O guia do tema reúne os cuidados de cada idade, os tropeços mais frequentes e o checklist inteiro.
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