Higiene Passo a passo
Unhas e patas: ensinando o filhote a aceitar o toque e o corte
Etapas para o filhote se acostumar com mãos nas patas e com o cortador, mais dicas para não ferir o vaso da unha e para cuidar das almofadas.
Foto: Santeri Viinamäki Pergunte a donos de cães adultos e muitos dirão que o bicho foge quando alguém encosta nas patas. Por trás disso quase sempre há uma lembrança desagradável: o corte rente demais que fez sangrar, o filhote preso à força, o estalo seco do cortador. Aí o momento da unha vira luta, é adiado, as unhas ficam longas e o problema aumenta.
No caso do filhote, ainda dá tempo de escolher outro caminho. O treino abaixo deixa o toque nas patas previsível e cheio de recompensa, e só depois traz o cortador para a cena. Pede algumas semanas, em sessões de poucos minutos, e rende por toda a vida: a ida ao veterinário fica mais calma, e limpar as patas depois do passeio deixa de ser uma negociação.
O passo a passo, em ordem
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Toque e prêmio
Com o filhote tranquilo, encoste em uma das patas por um segundo e logo dê um petisco. Percorra as quatro patas, de cinco a dez toques por sessão, com uma ou duas sessões ao dia. Se ele recolher a pata, tudo bem: largue e recomece com um toque mais suave.
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Segurar por alguns segundos
Quando o toque deixar de incomodar, mantenha a pata na sua mão por dois segundos, depois três, depois cinco, e sempre termine com recompensa. Nessa hora, passe também o dedo entre os dedinhos e sobre as almofadas.
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Pressionar os dedos
Faça uma leve pressão em cada dedo, o mesmo gesto que expõe a unha no corte, e premie um por um. Costuma ser a etapa que mais desagrada, então avance sem pressa.
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Apresentar o cortador
Deixe o cortador à vista no piso, ao lado do filhote, e premie cada vez que ele o cheirar. Depois, encoste o cortador fechado numa unha, sem apertar, e entregue um petisco. Com a lixa elétrica, o caminho é ligá-la a distância, premiando, e ir trazendo-a para perto ao longo de vários dias.
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Primeiro corte: uma unha só
Retire apenas a ponta transparente ou curva de uma unha, bem distante do vaso, e dê um prêmio especial. A sessão termina ali. No dia seguinte, tente mais uma ou duas.
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Avançar sessão a sessão
Aumente a quantidade de unhas por sessão no ritmo em que o filhote permitir. Levar uma semana inteira para completar o serviço é normal. O ritmo ideal fica entre duas e quatro semanas de intervalo, ou antes disso, quando o tec-tec das unhas no piso começar a aparecer.
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Manter o hábito
Nas semanas sem corte, volte de vez em quando a tocar as patas com um petisco por perto. Faça da limpeza das patas, na chegada do passeio, um ritual sempre calmo, para que mexer nelas siga sendo algo comum no dia a dia.
O que existe dentro da unha
Dentro da unha passa um vaso sanguíneo acompanhado de um nervo, parte que muitos tutores chamam de sabugo. Cortar ali machuca e faz sangrar. Quando a unha é clara, a região aparece rosada por transparência e fica fácil saber onde parar. Quando é escura, nada se enxerga, e a saída é cortar em lascas finas, uma de cada vez.
Em unha escura, observe a face recém-cortada a cada fatia: um ponto no centro mais escuro, úmido ou diferente do resto indica que o vaso está próximo, e a tesoura deve parar. Quanto mais a unha demora a ser cortada, mais o vaso avança com ela; aparar pouco e com frequência faz o vaso recuar.
Os ergôs também precisam de olhar. São os dedinhos mais altos, na parte de dentro das patas, sempre nas da frente e, às vezes, nas de trás. Como não encostam no chão, ninguém os lixa por atrito, e eles podem se curvar até espetar a pele.
Cortador, lixa e o que mais ter à mão
Em filhote, o cortador pequeno do tipo tesoura costuma dar mais controle. A lâmina tem de estar afiada, porque a cega amassa a unha e incomoda. A lixa elétrica feita para pets deixa o acabamento liso e permite desgastar devagar, mas o zumbido e a vibração pedem um período de adaptação antes do uso.
Separe de antemão um pó hemostático de uso veterinário (ou amido de milho, se não houver) e gaze limpa. Se a unha sangrar, apoie o pó na ponta e pressione por alguns minutos. A sua calma conta: o susto do tutor costuma impressionar o filhote mais do que o corte em si. Para terminar a sessão com gosto de recompensa, escolha petiscos pequenos e macios, como os apresentados em petiscos e água na rotina.
Almofadas e espaços entre os dedos
As almofadas aguentam bastante, mas têm limite. No verão, o asfalto pode queimá-las. Antes de sair, apoie as costas da mão no chão por alguns segundos; se você não suportar o calor, o filhote também não deve pisar. Mais orientações em passeios seguros com calor, chuva e asfalto.
Na volta, limpe as patas com pano úmido e seque com cuidado o vão entre os dedos, onde a umidade convida fungos. Nas raças de pelo longo, o tufo entre as almofadas pode ser aparado com tesoura de pontas arredondadas, o que ajuda no piso liso. Aproveite para procurar espinhos, pedrinhas, cortes ou carrapatos camuflados.
Erros comuns
Aparar todas as unhas numa sentada só, segurando o filhote à força.
Corte poucas por sessão, com prêmio, até ele aceitar bem. A paciência de agora evita brigas por anos.
Encarar uma unha escura com um corte só e grande.
Corte em fatias finas e olhe a superfície para parar antes do vaso.
Deixar os ergôs de fora.
Passe a incluir esses dedinhos em toda revisão, já que o chão não os gasta.
Recorrer a tesoura comum ou ao cortador de unha de gente.
Use um cortador próprio para cães, bem afiado e do tamanho certo para a pata do filhote.
Checklist
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Quando buscar orientação veterinária
Fale com o veterinário se
- Unha que segue sangrando mesmo após alguns minutos de compressão.
- Unha rachada, arrancada ou enterrada na almofada.
- Inchaço, vermelhidão, pus ou cheiro ruim entre os dedos.
- Filhote que manca, ou que lambe ou morde sempre a mesma pata.
- Queimadura ou bolhas nas almofadas depois de pisar em chão quente.
- Pavor que persiste apesar do treino em etapas: veterinário ou adestrador de reforço positivo podem desenhar um plano sob medida.
A lista tem caráter educativo e não abrange todas as situações. Se alguma coisa parecer fora do normal com o filhote, confie no que você percebe e procure um profissional.
Perguntas do dia a dia
De quanto em quanto tempo as unhas do filhote devem ser cortadas?
Costuma ser entre duas e quatro semanas, mas depende da atividade e do piso. Quem vive em apartamento tende a precisar de mais cortes do que quem anda bastante no asfalto, que lixa as unhas sozinho.
E se eu cortar o vaso sem querer?
Calma. Cubra a ponta com pó hemostático ou amido de milho e comprima com a gaze por alguns minutos. Depois, ofereça um petisco, pare por hoje e, se o sangramento persistir, ligue para o veterinário.
O banho e tosa pode cuidar das unhas?
Pode, e é bom manter também o treino de manuseio em casa: o procedimento fica tranquilo em qualquer lugar, e você mesmo faz pequenos ajustes entre uma visita e outra.
Preciso passar creme nas almofadas?
Na maior parte dos filhotes, não. Se elas ficarem ressecadas ou rachadas, o veterinário indica um produto feito para cães, porque as patas acabam lambidas.
Este texto pertence ao tema Higiene. O guia do tema reúne os cuidados de cada idade, os tropeços mais frequentes e o checklist inteiro.
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