Passeios Passo a passo
Coleira, peitoral e guia: como escolher e como acostumar o filhote
Como escolher coleira, peitoral e guia, acertar a medida e acostumar o filhote ao equipamento dentro de casa, sem estresse.
Foto: Juppi A cena é conhecida: o filhote ganha o peitoral pela primeira vez, congela no meio da sala, coça o peito, rola no tapete ou tenta abocanhar as alças. Birra não é. Nunca antes algo tinha envolvido o corpinho dele, e a reação é de estranheza total. Quando o peitoral vem de surpresa, seguido de um passeio lotado de novidades, o risco de o filhote passar a associá-lo a mal-estar cresce muito.
Vale, então, escolher com critério e apresentar devagar, dentro de casa, semanas antes de o veterinário liberar a rua. O texto a seguir acompanha desde a compra e as medidas até a adaptação, chegando ao dia em que o filhote corre para a porta ao ver a guia. Para o quadro geral das caminhadas, veja o guia de passeios.
O passo a passo, em ordem
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1. Faça o peitoral parecer boa notícia
Deixe o peitoral no chão e premie o filhote quando ele chegar perto, cheirar ou encostar. Repita em vários momentos de um ou dois dias. A ideia é ele enxergar o peitoral como o sinal de que vêm petiscos.
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2. Deixe a cabeça entrar pela gola
Abra a gola do peitoral, estenda um petisco do lado de lá e deixe o filhote passar a cabeça por vontade própria. Nada de fechar ainda. Repita até ele entrar com a cabeça sem hesitar.
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3. Feche o fecho por poucos segundos
Com a cabeça já dentro, feche o fecho e dê petiscos em sequência. Mantenha por 5 a 10 segundos e tire. O ideal é o equipamento sair antes de o filhote se incomodar.
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4. Estique o tempo com a atenção em outra coisa
Vista o peitoral antes da refeição ou de uma brincadeira. Comendo ou brincando, ele mal nota o equipamento. Vá aumentando até alguns minutos. Se ele passar a coçar ou a se jogar no chão, chame a atenção com um brinquedo e tire o peitoral quando estiver calmo.
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5. Prenda a guia e deixe-a se arrastar
Com você de olho, prenda a guia e deixe-a deslizar pelo chão por alguns minutos enquanto ele brinca. O peso e o ruído da guia deixam de ser novidade. Jamais deixe a guia presa sem alguém olhando, por causa do risco de enroscar.
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6. Pegue a guia e ande pela casa
Pegue a ponta da guia, ande pela sala e chame o filhote em tom festivo, premiando cada vez que ele chegar ao seu lado. Se empacar, agache, aguarde e mostre um petisco na frente do focinho dele. Sem puxar. Dois ou três minutos por sessão já bastam.
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7. Passe para o corredor e a garagem
Com o filhote à vontade na sala, leve o treino ao corredor do prédio, à lavanderia ou ao quintal. Cheiros e sons novos dificultam a tarefa; se ele se agitar, volte a facilitar.
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8. Crie uma rotina antes de abrir a porta
Pegue a guia, peça um senta, vista o peitoral e abra a porta por último. Repetida todo dia, essa sequência torna a saída previsível, e o filhote tende a sair mais sossegado quando as caminhadas na rua enfim começarem. Depois dela vem o treino de caminhar sem puxar a guia.
Qual escolher: peitoral, coleira ou os dois
O peitoral divide a força entre o peito e as costas e poupa o pescoço. Isso conta mais para quem ainda não aprendeu a andar sem puxar, para raças pequenas e para cães de focinho achatado ou propensos a problemas na traqueia. Prefira modelos em Y, em que as tiras passam pela frente do peito e deixam os ombros livres, com no mínimo duas regulagens. Os de faixa horizontal reta atravessando os ombros costumam atrapalhar o movimento das patas dianteiras.
A coleira de pescoço é leve, pode ficar o dia todo no cão e leva a plaquinha de identificação, assunto de plaquinha e microchip. Muita gente combina as duas: coleira com plaquinha sempre e peitoral só nas caminhadas. Vale optar por material macio (náilon ou tecido) e por um fecho de clique ou uma fivela simples.
Fique longe de coleira enforcadora, de garras (pinos), de choque e de cabresto usado sem treino. Todas provocam dor ou incômodo, podem ferir o pescoço e a traqueia e transformam o passeio em experiência ruim.
Como acertar a medida
Pegue uma fita métrica de costura: meça o pescoço na base, no ponto em que a coleira vai ficar, e o tórax na parte mais larga, logo atrás das patas da frente. Confronte os números com a tabela do fabricante, pois cada marca trabalha com suas próprias medidas. Para um filhote em crescimento, escolha o tamanho em que a medida atual fique no meio da regulagem; assim o equipamento dura mais algumas semanas.
Para saber se a coleira está no ponto, tente enfiar dois dedos entre a fita e o pescoço; no peitoral, o teste é o mesmo sob as alças. Sobra maior deixa o filhote tirar a pata ou recuar para escapar. Olhe também se as alças encostam na axila, porque o atrito machuca a pele, e repita a conferência toda semana durante os primeiros meses.
- Peitoral tipo Y, com duas ou mais regulagens
- Coleira leve, já com plaquinha de identificação
- Guia fixa e leve, de 1,5 a 2 m, com mosquetão pequeno
- Petiscos macios, em pedacinhos
- Fita métrica de costura para medir pescoço e tórax
A guia ideal para começar
Para filhote, funciona melhor uma guia fixa e leve, entre 1,5 e 2 metros. Mosquetão pesado bate no corpo e incomoda, e as guias de couro ou de tecido macio são gentis com a mão de quem conduz. A guia retrátil fica de fora nessa fase: ela recompensa o puxão, controla mal perto da rua e o fio fino é capaz de queimar e cortar mãos e patas.
A guia longa, de 5 a 10 metros, é boa para ensaiar o chamado em lugar protegido, como um parque pouco movimentado, e vai sempre presa ao peitoral, jamais à coleira de pescoço, para poupar o pescoço de trancos.
Erros comuns
Estrear o peitoral já na porta, minutos antes do primeiro passeio.
Deixe a adaptação para dentro de casa, ao longo de vários dias; assim a rua não soma duas novidades ao mesmo tempo.
Comprar tamanho bem maior pensando no crescimento.
Equipamento folgado deixa o filhote escapar. Compre o tamanho de hoje, com regulagem, e troque quando precisar.
Deixar o filhote dormir ou ficar sozinho de peitoral.
Peitoral é equipamento de passeio. Sem ninguém por perto, as tiras podem prender em móveis ou grades.
Engatar a guia longa na coleira do pescoço.
Com guia longa, o certo é o peitoral, que evita o tranco no pescoço quando o cão chega ao fim da corda.
Checklist
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Quando buscar orientação veterinária
Fale com o veterinário se
- Feridas, vermelhidão ou falta de pelo nas axilas ou no pescoço, causadas pelo atrito do equipamento.
- Tosse, engasgo ou barulho ao respirar quando o filhote puxa, o que pode indicar sensibilidade na traqueia.
- Dúvida sobre o equipamento ideal para cães de focinho achatado ou com dificuldade respiratória.
- Coceira forte ou alergia de pele que piora com algum material.
A lista tem caráter educativo e não abrange todas as situações. Se alguma coisa parecer fora do normal com o filhote, confie no que você percebe e procure um profissional.
Perguntas do dia a dia
Posso deixar a coleira no filhote o dia inteiro?
Em casa, uma coleira leve e justa na medida, com a plaquinha, costuma ser aceitável, contanto que não exista chance de prender em grade ou portão. Confira o ajuste com frequência, porque o filhote cresce rápido.
O filhote fica mordendo a guia no passeio. Como lidar?
Acontece muito na época da troca de dentes. Leve um brinquedo para desviar a atenção, premie quando ele caminhar sem a guia na boca e, se preciso, troque por uma guia de material menos gostoso de morder.
O peitoral estimula o cão a puxar?
Certos modelos, com argola só nas costas, facilitam o puxão em cães fortes, mas quem ensina a andar sem puxar é o treino. Os que têm argola também na frente do peito ajudam cães que puxam muito.
Este texto pertence ao tema Passeios. O guia do tema reúne os cuidados de cada idade, os tropeços mais frequentes e o checklist inteiro.
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