Vacinação e cuidados preventivos Guia explicativo

Vermes, pulgas e carrapatos: como proteger o filhote no primeiro ano

Entenda como se faz o controle de parasitas em filhotes, o que cada um deles provoca e o que a casa precisa para não virar criadouro.

  • 6 min para ler
  • Saúde e prevenção
  • Segurança e ambiente
  • Texto revisto em 7 de outubro de 2026
  • Qualquer idade
Vermes, pulgas e carrapatos: como proteger o filhote no primeiro ano Foto: Rlevse

Quase todo filhote cruza o caminho de algum parasita. Os vermes intestinais chegam pela barriga da mãe ou pelo leite, e o calor brasileiro deixa pulgas e carrapatos em atividade durante os doze meses do ano. Em compensação, prevenir dá resultado e não é complicado, desde que haja regularidade e um produto escolhido para a idade e o peso do bichinho.

A leitura passa por cada tipo de parasita, pelos sinais que cada um deixa e pelo que fazer com o ambiente. Marcas e quantidades ficam de fora de propósito: quem escolhe o medicamento e o intervalo é o veterinário, depois de avaliar idade, peso, cidade onde vocês moram e os outros bichos da casa.

Vermes intestinais

Lombrigas e ancilóstomos, dois nematódeos, lideram a lista nos filhotes. Boa parte dos cachorrinhos já nasce com eles, porque larvas que dormiam no organismo da mãe acordam durante a gestação e atravessam para a ninhada. Daí a necessidade de começar o controle logo nas primeiras semanas de vida e repeti-lo em intervalos curtos ao longo dos primeiros meses, no ritmo que o veterinário combinar na primeira consulta.

Quando a carga é grande, o filhote pode apresentar barriga inchada, diarreia, vômito com vermes que parecem fios de macarrão, pelagem sem brilho, anemia e crescimento mais lento que o esperado. Só que muitos não mostram sintoma algum. Há também protozoários, como a giárdia, que dão diarreia e escapam de certos vermífugos; quem esclarece é o exame de fezes.

Parte desses vermes passa de cães para gente, sobretudo para crianças que brincam em terra e areia. Três hábitos protegem a casa toda: tirar o cocô do chão sem demora, lavar as mãos depois de pegar o filhote e manter a prevenção sempre em dia.

Pulgas

A pulga que aparece no pelo é só uma fração da infestação. Ovos, larvas e casulos se espalham por tapetes, rodapés, sofás e caminhas e podem esperar semanas para eclodir. Por isso tratar só o cachorro não encerra o assunto.

A picada provoca coceira e feridas e, em certos cães, uma alergia forte. Se o filhote engole pulgas ao se lamber, elas podem lhe passar o Dipylidium, um verme achatado cujos pedaços lembram grãos de arroz ao redor do ânus ou misturados às fezes. Nos filhotes bem pequenos, uma infestação pesada chega a provocar anemia.

Para tirar a dúvida, deslize um pente fino pela base da cauda e sacuda o resultado sobre uma folha branca e umedecida. Pontinhos escuros que ganham tom avermelhado são fezes de pulga e denunciam a infestação, ainda que nenhum inseto apareça.

Carrapatos e a doença do carrapato

O carrapato-marrom é o mais frequente nos cães do Brasil e se dá bem em casas e apartamentos: consegue fechar todo o ciclo dentro do imóvel, escondido em frestas de parede, batentes e rodapés. Entre as doenças que ele leva ao cão estão a erliquiose e a babesiose, o que muita gente chama de doença do carrapato; os efeitos incluem febre, apatia, perda de apetite, sangramentos e anemia.

Voltou de gramado, quintal ou trilha? Passe os dedos no pelo do filhote em sentido contrário ao dos fios, parando nas orelhas, entre os dedos das patas, nas axilas, na virilha e no pescoço. Ao encontrar um carrapato, use uma pinça fina: segure o mais rente possível à pele e puxe com firmeza, sem girar e sem apertar o corpo do bicho. Fogo, álcool, querosene e outros truques caseiros ficam de fora. Na dúvida, peça ajuda ao veterinário. Se nos dias seguintes surgirem febre, apatia ou sangramentos, consulte os sinais de alerta, que listam o que exige pressa.

Antiparasitários: como escolher e aplicar sem risco

O mercado oferece comprimido mastigável, pipeta de nuca, coleira e spray. Cada um traz idade e peso mínimos, atua sobre parasitas diferentes e tem seu próprio prazo de repetição. Certos produtos também previnem a dirofilariose, o chamado verme do coração, passado por mosquitos e mais comum em áreas litorâneas, e existem coleiras repelentes que entram no plano de regiões com leishmaniose. Cabe ao veterinário montar a combinação conforme o risco do lugar onde você mora.

Antes de cada aplicação, coloque o filhote na balança: a quantidade correta acompanha o peso, e o peso muda depressa. Jamais fatie um produto de cão grande para usar em filhote, jamais passe produto de cão em gato e não junte produtos sem consultar o veterinário. Registre datas e nomes na carteira ou na ficha do seu filhote, e a próxima aplicação não escapa.

  • Passe o aspirador em tapetes, sofás e cantinhos uma vez por semana e esvazie o reservatório fora de casa.
  • Lave as caminhas e as mantas do filhote com água quente, de tempos em tempos.
  • Quintal bem aparado, sem entulho acumulado.
  • Cuide de todos os cães e gatos da casa na mesma época, cada espécie com o produto que lhe cabe.

Erros comuns

Esperar aparecerem vermes nas fezes para dar vermífugo.

Filhote infestado muitas vezes não solta verme nenhum que dê para ver. Siga o calendário de prevenção do veterinário e faça o exame de fezes quando ele pedir.

Tratar só o cão e ignorar a casa.

A maior parte das pulgas e dos carrapatos vive no ambiente. Una o produto no animal à limpeza frequente da casa.

Confiar só em receitas caseiras, como vinagre ou óleo.

Não há garantia de que funcionem, e alguns óleos essenciais podem intoxicar cães e gatos. Prefira produtos registrados, indicados pelo veterinário.

Repetir o produto do mês passado sem pesar o filhote.

Suba na balança antes de cada aplicação e pergunte ao veterinário se a embalagem em uso continua adequada.

Checklist

0 marcados, entre 8 itens

Ver todos os checklists

Quando buscar orientação veterinária

Fale com o veterinário se

  • Filhote apático, com febre, sem fome, com gengivas pálidas ou sangrando pelo nariz, sobretudo depois de ter tido carrapatos.
  • Diarreia persistente, com sangue ou muco, e vômito em que aparecem vermes.
  • Reação depois de aplicar antiparasitário: muita baba, tremores, vômito ou vermelhidão forte na pele pedem contato imediato.
  • Coceira forte, feridas e falhas no pelo que persistem mesmo com as pulgas sob controle.
  • Pedacinhos que lembram grãos de arroz nas fezes ou ao redor do ânus.

A lista tem caráter educativo e não abrange todas as situações. Se alguma coisa parecer fora do normal com o filhote, confie no que você percebe e procure um profissional.

Perguntas do dia a dia

De quanto em quanto tempo o filhote precisa de vermífugo?

No começo da vida, o intervalo entre as aplicações é curto e depois se alarga. Produto usado, histórico do filhote e risco do ambiente pesam na conta, e é o veterinário quem fecha o calendário.

Banho logo depois da pipeta atrapalha?

Vários produtos pedem um período sem banho antes e depois de aplicar. Leia a bula e siga o que o veterinário orientar, para a proteção não ficar mais fraca.

Verme de cachorro pega em criança?

Alguns pegam, sim. O risco cai bastante com a prevenção em dia, o cocô recolhido, as mãos lavadas e a areia do parquinho coberta.

Meu cachorro nunca sai de casa. Ele pega carrapato?

Pega, sim. O carrapato-marrom viaja em roupas, em visitas e em outros bichos e pode se instalar dentro do imóvel, inclusive de apartamento.

Este texto pertence ao tema Vacinação e cuidados preventivos. O guia do tema reúne os cuidados de cada idade, os tropeços mais frequentes e o checklist inteiro.

Abrir o guia de vacinação e cuidados preventivos